Smartwatches têm alta taxa de erro ao medir arritmias

Vários dispositivos cardiológicos estão sendo colocados à disposição dos atletas e nós como cardiologistas temos algumas restrições ao seu valor clínico. Alerta para considerar com muita calma as possíveis alterações que surgirem nos relógios /frequencímetros existentes.


Imaginem que o pulso esteja falhando devido a extrassístoles, aquelas falhas que algum paciente, seja atleta ou não, descreve como um nó na garganta seguido de tosse seca, ou então como um vazio na boca do estômago. Os dispositivos digitais podem errar os valores registrando muito menos do que a realidade da pulsação, porque a extrassistole não consegue ser captada, por não produzir a contração do coração.

Esses relógios inteligentes, chamados de “smartwatches”, e as “smartbands” (pulseiras inteligentes) utilizam tecnologia de raios infravermelhos que são radiações eletromagnéticas com comprimentos de onda entre 700 e 50 000 nm.


Ultimamente, nestes tempos de pandemia pelo COVID-19, muitas pessoas aprenderam ver a pulsação no oxímetro, dispositivo para ver a saturação de oxigênio por algum dedo, e que utiliza essa tecnologia dos raios infravermelhos e quando ocorre uma ou várias extrassístoles no mostrador aparecem registros de 40 ou 45 batimentos por minuto.


Nos eventos de aceleração do coração, a maioria dos dispositivos que não mostram o registro da linha e dos ciclos cardíacos (como uma linha do eletrocardiograma) apenas os valores da pulsação, tiveram falhas registrando pulsos elevados sem haver aceleração e sim um artefato de movimentação do punho ou do braço do atleta, segundo uma pesquisa feita em voluntários que usaram o aparelho de HOLTER e um frequencímetros a base de raios infravermelhos.


Segundo alguns estudos recentes, os melhores frequencímetros que registram os batimentos cardíacos são os que usam cinta no peito, e que captam a energia elétrica do coração. Evidente que logo teremos novidades eletrônicas e quando você notar que seu relógio inteligente está mostrando acelerações elevadas e você não está sentindo nada, provavelmente tem grande chance de ser um erro de leitura do relógio.


A Associação americana do Coração (AHA) validou os dispositivos apenas quando registrarem gráfica e visualmente a arritmia do tipo Fibrilação Atrial, o que indica a necessidade de consulta cardiológica imediata.


Ao escolher seu relógio “smart”, lembre-se que a maioria não é um dispositivo médico e sim um simples registrador da pulsação (frequencímetros). Converse com seu cardiologista caso perceba ou sinta a arritmia ou algo parecido. O fato do registro nem sempre (erra em mais de 60%) acertar se estamos com uma arritmia, deixa-nos mais tranquilos e o que vale são as queixas clínicas de palpitações e acelerações do coração.


No futuro devem chegar aparelhos mais sofisticados que registrarão os batimentos cardíacos e até quem sabe um eletrocardiograma como faz o HOLTER, mas sempre tire suas dúvidas com o cardiologista para não se tornar um hipocondríaco cardiológico.


Dr. Nabil Ghorayeb - Cardiologista e Especialista em Medicina do Esporte

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