Nos recentes congressos de Medicina do Esporte e de Cardiologia foram
abordados aspectos clínicos e científicos de uma crescente incidência de arritmia
cardíaca caracterizada pelos batimentos rápidos e irregulares do coração,
diagnosticada em 2,5% da população mundial, o que equivale a 175 milhões de
pessoas portadoras dessa arritmia.
Um fato chamou a atenção, o de que foi frequente entre os chamados “baby
boomers” aqueles indivíduos atualmente bem ativos, nascidos entre 1945 e 1954.
Esses fatos provocaram intenso debate entre os cardiologistas que a
consideraram uma epidemia de fibrilação atrial, baseados em dados que sugerem que
até 20% dos idosos com mais de 80 anos irão desenvolver essa condição de ter essa
arritmia. O mais surpreendente é que embora a idade seja um forte fator de risco para
o surgimento dessa arritmia, os especialistas detectaram que um outro grupo
populacional está emergindo com predisposição própria para a fibrilação atrial, os
atletas de corridas de resistência (longas), que mantém intensidade elevada de
atividades físicas.
Estudos comparando as taxas de fibrilação atrial entre atletas de longa
distância com grupos controle da mesma idade, descobriram que a incidência da
fibrilação atrial é até sete vezes maior em praticantes de exercícios vigorosos. Os
especialistas estão começando a entender a fisiologia que estabelece que o atleta de
corridas ou provas longas chamadas de provas de resistência, tem enorme
vulnerabilidade para esse tipo de arritmia. Provavelmente ocorre um aumento de uma
das câmaras cardíacas, os átrios.
O que se pode deduzir é que a moda das elevadas intensidades de esportes e
atividades físicas em geral está deixando seu preço na saúde cardiovascular, o
aparecimento dessa arritmia como de outras menos frequentes traz um risco enorme
de acidente vascular cerebral se não for abordada de modo decisivo no seu
tratamento clínico como também dirigido para a chamada intervenção por ablação
dessa arritmia em centro hospitalar bem especializado em arritmias. E se exige que
os cardiologistas com conhecimento do esporte, personalizem sua abordagem médica
com os atletas, encontrando um equilíbrio para seus atletas-pacientes comprometidos
com a continuidade de um estilo de vida altamente ativo fisicamente, minimizando os
sintomas e o risco de acidente vascular cerebral a mais temida complicação da
fibrilação atrial.
Dr. Nabil Ghorayeb - Cardiologista e Especialista em Medicina do Esporte
#nabilghorayeb #drnabil #Ipirangasp #cardiologia #cardioesporte #medicodoesporte