Depois de Infarto do Miocárdio e AVC, é possível praticar algum esporte?

Atualizado: 1 de Dez de 2020

Uma preocupação de todos os que passaram por um problema cardiovascular

seja o AVC – acidente vascular cerebral (isquêmico ou hemorrágico), seja o IM -

Infarto do miocárdio, seja após um tratamento por intervenção como a angioplastia ou

por cirurgia de ponte de safena é saber se é possível e quando poderá iniciar as

atividades físicas e esportivas.


Vamos abordar desta vez o acompanhamento de um tratamento clínico sem

intervenções. Para um paciente após um AVC e posterior alta hospitalar, será

necessária uma reavaliação da circulação cerebral desde as carótidas (artérias que

passam no pescoço) e vertebrais (que passam na nuca) como de todo o cérebro. Se

não tiver mais nenhuma obstrução ou dilatação (aneurisma) de importância, devem-se

avaliar as sequelas motoras e outras existentes como a perda da fala, que necessitará

de fonoaudiologia.


Neste momento, o tratamento fisioterápico será fundamental para recuperar o

que é possível, mas só após o devido encaminhamento médico. Esse procedimento

será realizado por um profissional de fisioterapia por período de 90 a 180 dias, período

depois do qual se fará a reavaliação clínica do paciente, para confirmar que está

controlada a doença causadora do evento, como as obstruções arteriais cerebrais e

cardíacas, a hipertensão arterial, o diabete, a fibrilação atrial e outras doenças.


Não se deve apressar essa sequencia do tratamento de reabilitação

cardiovascular e motora, visto que só assim se poderá liberar o paciente para alguma

atividade esportiva.


Em relação aos esportes competitivos, eles devem ter sua escolha

individualizada e com total anuência de um médico que conheça o assunto

profundamente. Certas medicações obrigatórias podem ter efeitos colaterais durante a

pratica esportiva e algumas modalidades não têm sua pratica autorizada para

determinados pacientes, pelo risco de acidentes esportivos, de complicações

hematológicas (como grandes sangramentos) e outros problemas cardiovasculares.

O ciclismo (risco de quedas e traumas), a natação (risco de afogamento e

dificuldade para atendimento de emergências na água) e esportes de contato físico e

traumas (futebol, basquete e até o vôlei) têm restrições claras e conhecidas para

pessoas portadoras de determinadas doenças como também para usuários de certos

e (necessários) medicamentos.


As orientações e restrições após um Infarto do Miocárdio seguem linha de

tratamento semelhante, porém temos ferramentas mais eficientes para dar limites,

como o teste ergométrico ou teste ergoespirométrico cuja indicação e realização só

podem ser feitas por médico e na presença física do mesmo no local do exame.

Os melhores exercícios para todos são sem dúvida os aeróbicos como a

caminhada, o trote e corrida de média distância, associados aos exercícios de

fortalecimento muscular e de equilíbrio para se evitar quedas.


Dr. Nabil Ghorayeb - Cardiologista e Especialista em Medicina do Esporte

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